E assim, o tempo: devora tudo pelas beiradinhas, roendo, corroendo, recortando e consumindo. E nada nem ninguém lhe escapará, a não ser que faça dele seu bicho de estimação
A sensação de não ser suficiente para quem amamos é horrível, mas a de se sentir insuficiente para si mesmo é ainda pior. É muito difícil quando o seu tudo, ainda é pouco para alguém. Mas e quando não é suficiente para agradar nem a si mesmo? Você se olha e não vê quem você gostaria de ser e se frustra por isso. Você não tem animo, não tem forças e acaba deixando para lá por estar cansado. E eu estava exatamente assim, eu precisava recomeçar, me moldar novamente ao meu gosto e ao meu agrado. Por muito tempo eu me quebrava para agradar as pessoas, para tentar ser aceito por elas e isso acabou fazendo eu me perder. Eu sempre fazia o que era bom para elas, mas e o que era bom para mim? Seria difícil, mas eu não tinha mais nada a perder. E eu queria sair ganhando pelo menos uma vez na vida e eu faria isso por mim.
Eu era um caderno cheio de páginas em branco, das quais você fez desenhos lindos e coloridos, por um bom tempo seguiu assim, mas, eu não sei, perdi o momento em que de repente, voltei a ficar em branco e as páginas com cores vivas, se desbotaram, ficaram sépia como uma lembrança antiga de algo bom.
“Outro dia uma amiga me disse “eu o amo, mas não dá mais” e aquela frase me atingiu como uma facada na boca do estômago. Eu entendo bem o que ela quis dizer. Eu também já me despedi de um amor que ainda existia porque de alguma forma já não fazia mais sentido estarmos juntos. Eu queria x, ele y, e fomos tomando caminhos diferentes que nos afastaram. Não teve briga, nem raiva, nem magoa. Só teve dor. É triste quando uma história que tinha tudo pra certo, chega ao fim. Pior ainda quando o sentimento permanece e não é mais suficiente pra fazer vocês ficarem. Dar adeus nunca é fácil, independente da situação, mas dar adeus pra um amor, ah, meu chapa, é foda!”
Talvez as doses tenham mesmo feito efeito, ou quem sabe eu realmente esteja no meu limite, as palavras precisam finalmente serem ditas. Você está se esquecendo de mim. Você está se esquecendo da parte em que cuida de mim, de que faz valer a pena todos esses quilômetros de distância. Eu te amo e grito isso todos os dias, mas depois de um tempo, tenho tido dificuldade em te responder isso sem que a voz fique trêmula. Eu te amei com todas as forças e talvez isso não tenha sido o suficiente, estou prestes a te deixar, mas daí, o que resta de mim? Me desconstruí para caber na tua vida, agora você pega sua bagunça e foca só nela, onde eu fico? Não me manda mensagem de “eu te amo” se realmente não amar. Quem ama, cuida. você tem me deixado de lado e isso está me matando.
É uma data triste, porque falta você. Vou comemorar o quê?! Tá tudo bem por aqui, pode descansar em paz, eu tô tomando conta de tudo, mas ainda não aprendi a lidar com essa dor.
De repente a gente se encontra. Seja no bar da esquina, no caixa do supermercado, nas DMs do Twitter. De repente a gente se encontra, e esse espaço que sempre houve entre nós, fica maior ainda. Porque te olhando agora de longe, se eu já não te reconheço mais, então imagina de perto. Imagina eu descobrir que todos os seus sonhos mudaram, que você largou os seus tênis surrados, que o seu cheiro agora é coberto por um fedor forçado. Imagina descobrir que agora você usa relógio de pulso, não olha ninguém no olho, só pede comida por entrega. Imagina eu descobrir que você se tornou brega. Porque uma coisa é te perder pra vida, outra é você deixar de existir. E desconfio que foi exatamente isso o que aconteceu.